{"id":1109,"date":"2020-05-29T10:00:04","date_gmt":"2020-05-29T10:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/?p=1109"},"modified":"2023-12-12T13:15:46","modified_gmt":"2023-12-12T13:15:46","slug":"guia-de-sobrevivencia-para-pais-em-periodo-de-confinamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/2020\/05\/29\/guia-de-sobrevivencia-para-pais-em-periodo-de-confinamento\/","title":{"rendered":"Guia de sobreviv\u00eancia para pais em per\u00edodo de confinamento."},"content":{"rendered":"<p>A maioria de no\u0301s, em algum momento (ou muito provavelmente em muitos) desejou ter mais tempo para a fami\u0301lia, para estar com os filhos, para fugir a\u0300 aza\u0301fama dos dias e aos hora\u0301rios por cumprir. Depois, caiu-nos ao colo um confinamento forc\u0327ado e no\u0301s agradecemos aos ce\u0301us a be\u0302nc\u0327a\u0303o do tempo que ai\u0301 vinha. A primeira semana foi uma deli\u0301cia, na segunda fica\u0301mos um bocadinho cansados e a partir dai\u0301 talvez tenhamos comec\u0327ado a perceber que afinal a coisa na\u0303o era assim ta\u0303o simples&#8230; Ate\u0301 aqui, tudo normal. Estar em isolamento social, fechado em casa 24h, todos os dias, em fami\u0301lia e com os filhos, e\u0301 mesmo um desafio de enorme exige\u0302ncia, um desafio que requer tempo, flexibilidade, adaptac\u0327a\u0303o e reconhecimento de que existem forc\u0327as e fragilidades, nesta que sera\u0301 uma espe\u0301cie de danc\u0327a conjunta, dia\u0301ria e ininterrupta. E ainda que na\u0303o existam fo\u0301rmulas ma\u0301gicas porque cada fami\u0301lia e\u0301 um contexto u\u0301nico e muito especial, existem algumas premissas que nos podem ajudar a sobreviver ao desafio e a encontrar respostas mais tranquilas e equilibradas nesta aprendizagem que e\u0301 de todos no\u0301s, todos os dias.<\/p>\n<p><em><strong>Olhar o tempo que vivemos como um tempo de oportunidade<\/strong><\/em> e\u0301 talvez um dos convites mais bonitos que podemos fazer a no\u0301s pro\u0301prios. Temos ao nosso dispor o medo, a angu\u0301stia, o bloqueio, o desejo de que tudo na\u0303o passe de um pesadelo, mas temos tambe\u0301m a oportunidade da esperanc\u0327a, da transformac\u0327a\u0303o, de um olhar mais atento, a no\u0301s e aos outros, do (re)alinhamento das prioridades, do renascer de quem somos, enquanto pessoas e enquanto fami\u0301lia.<\/p>\n<p>Por outro lado, o tempo em casa na\u0303o significa que na\u0303o possamos ligar-nos aos outros e muitas vezes, e\u0301 assim que descobrimos e reforc\u0327amos lac\u0327os com aqueles que nos sa\u0303o mais importantes. <strong>Valorizar as ligac\u0327o\u0303es afetivas e comunita\u0301rias<\/strong> e encontrar na forc\u0327a coletiva um dos nossos grandes suportes, e\u0301 outro dos caminhos que nos trara\u0301 com certeza muitas aprendizagens que dara\u0303o frutos futuros e sera\u0303o incrivelmente inspiradoras aos mais pequenos. Estar em confinamento na\u0303o significa estar isolado e ha\u0301 muito que se sabe que a conexa\u0303o com o outro reduz os ni\u0301veis de stress e ansiedade. Procurar um espac\u0327o e um tempo dia\u0301rios para nos ligarmos emocionalmente e com intenc\u0327a\u0303o aqueles que esta\u0303o perto e utilizar o telefone e as videochamadas para nos aproximarmos de quem esta\u0301 longe, sera\u0303o recursos importantes a este sentido de \u201csermos com o outro\u201d, que e\u0301 no fundo o nosso super poder enquanto espe\u0301cie humana. Para ale\u0301m disso, aproveitar para reforc\u0327ar o apoio aos vizinhos, envolvermo-nos em iniciativas de apoio social, entre outras, sa\u0303o passos importantes neste sentir de que juntos somos ta\u0303o melhores. E somos mesmo.<\/p>\n<p>Aprendermos a <strong>ser mais flexi\u0301veis<\/strong> num tempo que por si so\u0301 ja\u0301 e\u0301 ta\u0303o exigente e\u0301 outras das premissas que nos ajudara\u0301 a enfrentar os desafios com um olhar mais realista e ate\u0301 de menor julgamento a no\u0301s pro\u0301prios, algo em que tantas vezes somos peritos. Para os pais que esta\u0303o em teletrabalho e\u0301 importante aceitar que a produtividade na\u0303o sera\u0301 a mesma, reduzindo o ni\u0301vel de exige\u0302ncia e ajustando as tarefas dia\u0301rias de uma forma mais realista, atenta a todas as solicitac\u0327o\u0303es e a\u0300s dificuldades que encontramos quando na\u0303o nos e\u0301 possi\u0301vel ter um espac\u0327o apenas destinado ao trabalho. Para ale\u0301m disso, a flexibilidade em relac\u0327a\u0303o aos nossos filhos e a\u0300 mudanc\u0327a que possa surgir nas suas rotinas habituais tambe\u0301m ajudara\u0301 a retirar-nos um peso de cima por sentirmos que as coisas na\u0303o esta\u0303o a acontecer como antes. E\u0301 natural que assim seja porque o momento e\u0301 mesmo diferente e a\u0300s vezes difi\u0301cil e portanto e\u0301 importante aceitar que provavelmente os nossos filhos recorrera\u0303o mais aos ecra\u0303s, que de vez em quando na\u0303o lhes apetecera\u0301 fazer nada e que ainda assim, esta\u0301 tudo bem.<\/p>\n<p><strong>Cuidarmos de no\u0301s.<\/strong> Aqui mora a estrutura so\u0301lida e a\u0300 prova de bala de tudo o que possamos construir em fami\u0301lia. Gerir as nossas emoc\u0327o\u0303es torna-se mais fa\u0301cil sempre que criamos um ambiente que nos seja cuidador e acarinhe as nossas necessidades individuais, da mesma forma que acarinhamos as dos outros. A experie\u0302ncia da parentalidade e\u0301 perita em empurrar-nos para segundo plano e a conseque\u0302ncia disso e\u0301, a curto\/me\u0301dio prazo, a exausta\u0303o fi\u0301sica e emocional. Encontrar um tempo so\u0301 nosso, ouvir mu\u0301sica, escrever um dia\u0301rio, tomar um banho relaxante, praticar exerci\u0301cio ou so\u0301 estarmos cinco minutos quietinhos sa\u0303o ideias que ajudam a insuflar o nosso bala\u0303o de oxige\u0301nio, que permitira\u0301 tambe\u0301m aos outros respirar connosco.<\/p>\n<p>Se juntarmos a isto, um exerci\u0301cio dia\u0301rio de generosidade emocional para connosco pro\u0301prios, que celebre e relembre tudo aquilo que ja\u0301 fomos capazes de conquistar desde que nos torna\u0301mos ma\u0303es ou pais e desde que somos ma\u0303es ou pais numa situac\u0327a\u0303o ta\u0303o extraordina\u0301ria como a de uma pandemia a\u0300 escala global, estaremos decerto mais perto de apaziguar o nosso corac\u0327a\u0303o e de lhe trazer a forc\u0327a necessa\u0301ria ao enfrentar de todos os desafios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rita Guapo<\/strong><br \/>\nPsico\u0301loga e formadora<br \/>\n<a href=\"mailto:ritaguapo@pesnalua.pt\">ritaguapo@pesnalua.pt<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.pesnalua.pt\">www.pesnalua.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria de no\u0301s, em algum momento (ou muito provavelmente em muitos) desejou ter mais tempo para a fami\u0301lia, para estar com os filhos, para fugir a\u0300 aza\u0301fama dos dias e aos hora\u0301rios por cumprir. Depois, caiu-nos ao colo um confinamento forc\u0327ado e no\u0301s agradecemos aos ce\u0301us a be\u0302nc\u0327a\u0303o do tempo que ai\u0301 vinha. A primeira semana foi uma deli\u0301cia, na segunda fica\u0301mos um bocadinho cansados e a partir dai\u0301 talvez tenhamos comec\u0327ado a perceber que afinal a coisa na\u0303o era assim ta\u0303o simples&#8230; Ate\u0301 aqui, tudo normal. Estar em isolamento social, fechado em casa 24h, todos os dias, em fami\u0301lia e com os filhos, e\u0301 mesmo um desafio de enorme exige\u0302ncia, um desafio que requer tempo, flexibilidade, adaptac\u0327a\u0303o e reconhecimento de que existem forc\u0327as e fragilidades, nesta que sera\u0301 uma espe\u0301cie de danc\u0327a conjunta, dia\u0301ria e ininterrupta. E ainda que na\u0303o existam fo\u0301rmulas ma\u0301gicas porque cada fami\u0301lia e\u0301 um contexto u\u0301nico e muito especial, existem algumas premissas que nos podem ajudar a sobreviver ao desafio e a encontrar respostas mais tranquilas e equilibradas nesta aprendizagem que e\u0301 de todos no\u0301s, todos os dias. Olhar o tempo que vivemos como um tempo de oportunidade e\u0301 talvez um dos convites mais&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1119,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1109"}],"collection":[{"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1109"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1875,"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1109\/revisions\/1875"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/farrobinhas.cm-faro.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}